Redes internacionais de cidades: o C40 Cities | por Beatriz Nobre

Revisado por: Elaine Silva da Luz, coordenadora de comunicação e redação da ANAPRI

Chegamos, enfim, ao nosso último post da série sobre redes internacionais de cidades. Poderíamos ainda abordar muitas outras redes além das que apresentamos, mas buscamos trazer aqui algumas das mais importantes na ativa atualmente. Para fechar essa série, portanto, trataremos de mais uma rede de cidades como foco na agenda climática: o C40 Cities.

O C40 Cities é uma rede de cidades fundada em 2005 e que reúne 96 cidades na atuação para o combate às mudanças climáticas (C40 Cities, 2023). Inicialmente com o nome de C20, a rede foi uma iniciativa do prefeito de Londres em 2005, Ken Livingstone, que convocou representantes de 18 megacidades para firmar um acordo de redução da poluição do ar (C40 Cities, 2023; Veloso, 2023). Foi em 2006 que o grupo assimilou mais 22 cidades, totalizando, assim, as 40 que levariam à mudança de nome para C40 (C40 Cities, 2023; Veloso, 2023). No Brasil, são 4 as cidades-membro da rede: Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP) (C40 Cities, 2023).

É importante salientar que a participação do Brasil na rede teve papel de destaque em trazer consigo novos membros do Sul Global, uma vez que, inicialmente, o C40 era voltado para megacidades: foi com a liderança de Eduardo Paes em 2014, prefeito do Rio de Janeiro, que o Sul Global passou a ter representação de mais de 50% da rede (C40 Cities, 2023).

Dentre os objetivos da rede estão, principalmente, o aumento da “ambição climática” com o apoio enfático à meta de crescimento de no máximo 1.5ºC da temperatura da terra, nos termos do Acordo de Paris, de 2015; promover um movimento global pelo ativismo climático por meio de ações de diplomacia e advocacy – portanto, sendo mediadora dos diálogos entre governos locais e o âmbito internacional; prover o compartilhamento de boas práticas entre os membros e facilitar o acesso a financiamento para políticas públicas (C40 Cities, 2023).

São 3 os principais financiadores do C40: a Bloomberg Philathropies, a Children’s Investment Fund Foundation e a Realdania (Veloso, 2023). A adesão como membro não requer pagamento de taxas, mas apenas que a cidade comprove estar cumprindo critérios de comprometimento com uma agenda de mudanças climáticas que, favoravelmente, já deve vir sendo aplicada localmente através de um plano de ação municipal (C40 Cities, 2023). Por esse compromisso com a atitude prática, o C40 considera inativo após 12 meses qualquer membro que não venha implementando medidas efetivas contra as mudanças climáticas (Veloso, 2023).

Assim, dentre suas atividades, destacamos: os Planos de Ação do Clima 1.5ºC, um programa que ajuda as cidades a desenharem planos de ação específicos para suas condições, a fim de que alcancem a meta de variação de temperatura máxima de 1.5ºC do Acordo de Paris (C40 Cities, 2023). O C40 também se engaja bastante nas Conferências das Partes (COP) das Nações Unidas como observadores formais, membros da categoria “Governos Locais e Autoridades Municipais” (em tradução livre) (C40 Cities, 2023).

Na recente COP28, o C40 esteve presente defendendo a progressiva eliminação do uso de combustíveis fósseis tendo o parâmetro do 1.5ºC e buscando o aumento da disponibilidade de energia renovável até 2030, bem como advogando contra o desflorestamento e as ameaças à biodiversidade (C40 Cities, 2023).

Assim, fica clara a importância de uma rede como o C40 não só no combate às mudanças climáticas, mas também como meio eficiente de estabelecer a comunicação entre as iniciativas locais e os debates internacionais que pautam a agenda. Como pôde ser percebido ao longo desta série, este é o grande papel das redes internacionais de cidades: serem a conexão necessária para impulsionar debates, compartilhar boas práticas, facilitar a execução de projetos e dialogar a todo instante com o cenário internacional.

Referências

C40 CITIES. C40 Cities. C40, 2023. Disponível em: <https://www.c40.org/>. Acesso em: 19 dez. 2023.

VELOSO, Franciely T. Cidades, adaptação às mudanças climáticas e articulação em redes transnacionais: um estudo de caso da cidade do Rio de Janeiro na rede C40. Dissertação (Mestrado), Universidade de Lisboa, Lisbon School of Economics & Management, Lisboa, jun. 2023, p. 55. Disponível em: http://hdl.handle.net/10400.5/28009. Acesso em: 19 dez. 2023.